
AMIE em Movimento | Edição 03
Talvez você também precise ouvir isso. Eu preciso.
Às vezes, me pego pensando que, se eu não fizer, não vai sair bem feito. Ou até deixo outra pessoa fazer, mas fico acompanhando, corrigindo e pensando em como eu teria feito. No fim, continuo envolvida em tudo e ainda reclamo que estou sobrecarregada.
É desconfortável admitir, mas será que parte dessa sobrecarga não vem da minha dificuldade de aceitar que outra pessoa também é capaz?
Eu gosto das coisas bem feitas. Me importo com os detalhes e com o resultado. Só que preciso ter cuidado para não achar que a minha forma de fazer é a única que funciona. Uma pessoa pode seguir outro caminho, levar em conta algo que eu não percebi e chegar a um resultado tão bom quanto o meu. Ou melhor.
E acho que é justamente essa última possibilidade que precisamos aceitar com mais naturalidade: há pessoas mais competentes que nós, inclusive em coisas que estamos acostumadas a fazer há muito tempo.
Saber disso parece simples. Dar espaço para que elas trabalhem, decidam e mostrem essa competência já exige um pouco mais.
Porque, quando penso “deixa que eu faço, é mais rápido”, resolvo a necessidade daquele momento, mas também posso estar mantendo uma dependência que depois vai me incomodar. A outra pessoa não aprende, eu não consigo me afastar e tudo continua passando por mim.
Claro que há situações em que assumimos porque alguém não cumpriu o combinado ou entregou algo sem o cuidado necessário. Isso precisa ser tratado. Mas também vale perguntar se explicamos o que esperávamos, se demos condições e tempo para a pessoa aprender ou se tomamos a tarefa de volta na primeira dificuldade.
Na empresa, isso tem consequências. Se toda decisão precisa da nossa aprovação e toda entrega precisa ser refeita por nós, precisamos olhar para a maneira como estamos conduzindo a equipe. Podemos ter pessoas capazes trabalhando com receio de decidir, porque já esperam que vamos mudar tudo depois.
Em casa também acontece. Pedimos ajuda, mas queremos que cada coisa seja feita exatamente como faríamos. Às vezes, o resultado está adequado; só não está do nosso jeito.
Tenho pensado que preciso distinguir melhor essas duas coisas. Há critérios que devem ser cumpridos, e há preferências minhas que não precisam virar regra para todos.
Quero poder dividir responsabilidades sem continuar carregando cada uma delas na cabeça. Para isso, preciso reconhecer a competência dos outros e aceitar que também tenho o que aprender com eles.
Então, quando digo “você não é tão boa quanto pensa”, me incluo nessa conversa. Sei fazer muita coisa, mas não sei tudo, não faço tudo melhor e não preciso estar à frente de cada tarefa para que ela dê certo.
Te convido a pensar: o que hoje depende de você poderia estar sendo bem feito por outra pessoa, se você desse espaço?
Até a próxima!
Caroline de Sá
AMIE Assessoria Empresarial

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